Será que existe esse verbo?
Pois esse foi meu sport favorito nos últimos dias.
Eis que se deixa o filho com a avó, parte-se rumo ao desconhecido para ficar batendo perna (diga-se de passagem, todos os dias com o mesmo sapato que, ainda que sem salto, não era assim um super ténis para aguentar todo o tranco e os 60 quilos sobre os calcanhares) em busca de armários de cozinha, sofá, roupeiros- que compunham nosso kit básico de sobrevivência na cidade nova.
Concentre-mo-nos somente no sofá.
Camarido tinha visto um antes de minha chegada e logo avisou:
-Achei um sofá lindo, mas é um pouco caro. Me parece ser um sofá pra 'toda vida'.
Fomos na loja direto. Vi. Gostei. Mas achei caro e resolvemos continuar a busca.
Cinco dezenas de lojas populares depois, 34 modelos de sofás que se assemelhavam ao que tinha minha avó no fim dos anos 80'…encontramos uma loja com um cinza igual aquele que tinha gostado Camarido.
O que eles tinham pronta entrega era em outras dimensões: muito grande.
Diga-se de passagem que nessa loja tinha um sofá INCRIVEL, que nos apaixonamos. Assim, se você gosta muito de design e conforto e tem 9 mil reais pra dar num sofá, vá directo à Bella Casa. Vou voltar lá pra tirar uma foto, se elas me permitire, mas o bichinho era composto nos assentos de 3 almofdões para cada lugar do sofá. Todos bem rígidos e sobrepostos em cores de azul suavíssimo. Os encostos bem clean também de almofades. Aquilo teria sido um sucesso, mas eram praticamente duas mãos cheias de dedos de mil reais e esse preço não estávamos nem sonhando em pagar.
No mesmo tamanho e na faixa de preço que buscávamos eles tinham um preto, pouco mais de 200 paus mais barato do que aquele primeiro de todos.
A vendedora, bastante assanhada, nos ofereceu para levarmos como ' teste', pagando apenas o frete de 30 pila. Entregariam na mesmíssima hora.
Preferimos perder contos do que algumas centenas, e ficar com um troço desgostoso alisando nossos traseiros nas noites de novela. Topamos.
Logo chegaram os carregadores.
Vale dizer que o pessoal foi bem cuidadoso no transporte. Analisaram, viram que seria necessário desmontar o sofá e o fizeram com precisão. Entraram sem um dos braços e logo remontaram tudo. Colocamos de um lado, colocamos do outro e aquele volume imenso de preto não parecia exactamente correto.
Bom, teríamos toda a noite para pensar ainda, mas, eis que, quando estavam todos de saída eu reparo no santinho um rasgão. Como o tecido era "chimile" (ou seria xinxilha?), um rasgo de poucos centímetros logo se esgarçava de forma praticamente pornográfica na parte de trás do estofado.
Saí feito doida chamando a vendedora, que ainda estava aguardando o elevador pra ir pra casa e apontei o crime.
Assim, combinamos que ela falaria com a "chefe" e que, no dia seguinte nos daria uma posição sobre o reparo.
Veio a noite.
O sofá era super confortável, mas comecei a achar que aquele preto seria um fundo terrível para farelos de biscoito de criança de 3 anos…
Dormi no dito cujo (que o pessoal da loja não leia este post!) e estendido, como cama ele se prestou super bem às suas funções.
A gente até começou a gostar do bichinho e criar apreço por sua negrura.
E veio o dia.
E com ele muita chuva e meus pés molhados, naquele único sapato, andando por todos os cantos tentando alcançar o quanto possível para ajustar nossa chegada final.
FInalmente, quando já era fim da tarde fui até a loja do sofá preto.
Nossa decisão era ficar com ele, desde que obtivéssemos alguma compensação da loja pelo rasgo, afinal estávamos comprando um produto danificado.
Confesso que não tinha ideia o que solicitar, mas que poderia ser até um outro produto: almofadas, estatuazinha, sei lá eu!
A vendedora se fez de irredutível: o preço era o mesmo, mas eles reparariam, mandariam cerzir o rasgo.
Tive um rompante: por 200 paus mais caro teria um sofá da cor que queríamos e sem rasgo.
Confirmei com o Camarido que me deu o kick : devolve!
Assim foi decidido- Pode mandar recolher.
Saí feito doida pra dar tempo de pegar a outra loja ainda aberta, fechar o negócio e não perder meu ónibus de volta.
O cinza, aquele primeiro de todos realmente tinha um tecido bem mais bonito e até resistente do que o outro.
YOHOO!
não tenho medo do interior, gosto de mar, gosto de nova iorque, mas já morei em cidade de 8 mil habitantes e sempre fui muito feliz. Detesto quanto me dizem que eu não deveria ter vindo parar aqui. Já mudei e desmudei, mas chegamos aqui para permanência, portanto respondo:
Deveria sim, e, como em qualquer outro lugar, tem dias que tá tudo errado e tem dias que tá tudo lindo.
Esse não é um blog pessoal, mas com foco na experiência urbana, de infra estrutura e sentimental de uma estrangeira tentando fazer raizes em Santa Maria- sobre as singularidades de estar aqui.
Thursday, November 25, 2010
Tuesday, November 23, 2010
DIA 1
Dá pra sentir vergonha de si mesmo?
Sempre é aquele drama achar diarista, que seja na sua cidade- quiçá em cidade nova!
A moça veio aqui, como não temos ainda nada em casa, deixei-a sozinha e fui correr atrás da vida.
Tudo certo na volta, casa limpinha, cheirosa: tchau fincionária, até mês que vem.
Eis que de noite resolvemos instalar as lâmpadas faltantes e quem diz que encontramos o saco cheio de lâmpadas?
Gente, imaginem só: um apartamento vazio, a única coisa que tinhamos era o maldito saco de lâmpadas.
Olhamos por tudo e NADA!
Finalmente arrisquei:
-Será que a moça roubou meu saco de lâmpadas?
Será que ela é doente e trocou um emprego por um saco de lâmpadas?
Não sei se foi o cansaço ou o trauma de quem já teve coisas bizarras roubadas por diaristas (tipo TODOS nossos cobertores- o que só nos demos conta no inverno...), o medo de ser ingênua, a desconfiança de ser estrangeiro...Mas eu não podia acreditar naquela situação.
E, claro, depois de 10 minutos, revirei os lixos e achei o saco de lâmpadas que a moça tinha, por engano jogado fora.
Sempre é aquele drama achar diarista, que seja na sua cidade- quiçá em cidade nova!
A moça veio aqui, como não temos ainda nada em casa, deixei-a sozinha e fui correr atrás da vida.
Tudo certo na volta, casa limpinha, cheirosa: tchau fincionária, até mês que vem.
Eis que de noite resolvemos instalar as lâmpadas faltantes e quem diz que encontramos o saco cheio de lâmpadas?
Gente, imaginem só: um apartamento vazio, a única coisa que tinhamos era o maldito saco de lâmpadas.
Olhamos por tudo e NADA!
Finalmente arrisquei:
-Será que a moça roubou meu saco de lâmpadas?
Será que ela é doente e trocou um emprego por um saco de lâmpadas?
Não sei se foi o cansaço ou o trauma de quem já teve coisas bizarras roubadas por diaristas (tipo TODOS nossos cobertores- o que só nos demos conta no inverno...), o medo de ser ingênua, a desconfiança de ser estrangeiro...Mas eu não podia acreditar naquela situação.
E, claro, depois de 10 minutos, revirei os lixos e achei o saco de lâmpadas que a moça tinha, por engano jogado fora.
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