Estávamos em clima de festa. Fôra aniversário do pequeno e tínhamos familia visitando, dormindo pelo sofá cama, colchões etc.
Todos dormiam quando o alarme de incendio começou a tocar. Minha mãe, que repousava na sala e ouviu primeiro nos explica que já havia falado com os vizinhos no corredor e que estes tinham explicado para que pegássemos documentos importantes e descêssemos.
Entre se enrolar no roupão, juntar pastas e amarrar o sling para carregar o filho, A. lembra que seria providencial telefonar ao corpo de bombeiros.
Nos veio à mente as tantas vezes em que fomos acordados com alarmes de incendio na América do Norte- quase sempre alarme falso, com exceção de uma vez, quando era fogo mesmo- e os bombeiros que não demoravam mais do que quatro minutos para aportar no prédio, com ao menos dois caminhões, em trajes mega protetores e gigantes.
Primeiro demoramos alguns minutos para conseguir achar o telefone de emergencia dos bombeiros. Não, ele não aparece como primeira opção ao googlar: "bombeiros santa maria"
Assim que encontramos ele telefonou e a conversa que sucedeu foi mais ou menos assim:
- Alo, eu gostaria de informar que meu prédio está com algum foco de fogo, o alarme está tocando há uns 10 minutos.
- Ah, tá tocando é? E fica ondE?
- Endereço xxx, numero xxx/
- E ISSO é perto de ondE?
- É na esquina xxx.
- Ah, sei... Mas fica antEs ou depois da igreja?
-(meu senhor, eu deveria estar fugindo... nao dá pra consultar um google maps aí?)
--->Lembrando que vivemos num cruzamento completamente central, em uma rua principal da cidade.<-
hum...sim, é antes da igreja!
- Ah, tá. Mas, e mE diga. É fogo mesmo?
Como assim?? é o meu papel sair procurando o fogo, fazer vistoria no prédio?
- Bom, o alarme está tocando há algum tempo, deve ser!
Nisso abro a porta e percebo a procissão de síndico e moradores, indo DE ELEVADOR, de andar em andar, procurando o fogo.
Gente, pouca prudencia é pouco né?
Logo eles voltaram e nos disseram que não acharam nada, que desligaram o alarme e que, se tocasse de novo, aí sim é porque era fogo.
Voltamos a dormir.
Logo o alarme tocou de novo.
Eu já nem me lembro qual foi a explicação, mas nosso vizinho nos disse que haviam olhado por tudo e não encontraram fogo, portanto, poderiamos voltar a dormir.
E eu me pergunto: e se o foco estivesse dentro de um apartamento?
e se eles abrissem uma porta e levassem uma tremenda chama na carinha?
No dia seguinte o alarme tocou mais uma dezena de vezes e, perigosamente sei agora que quando tocar de novo eu não vou fugir.
não tenho medo do interior, gosto de mar, gosto de nova iorque, mas já morei em cidade de 8 mil habitantes e sempre fui muito feliz. Detesto quanto me dizem que eu não deveria ter vindo parar aqui. Já mudei e desmudei, mas chegamos aqui para permanência, portanto respondo:
Deveria sim, e, como em qualquer outro lugar, tem dias que tá tudo errado e tem dias que tá tudo lindo.
Esse não é um blog pessoal, mas com foco na experiência urbana, de infra estrutura e sentimental de uma estrangeira tentando fazer raizes em Santa Maria- sobre as singularidades de estar aqui.