Acho bem curioso como são criados mitos e coisas sagradas na opinião publica da cidade.
Assim, sempre haviamos ouvido falar muito bem da Cantina Pozzobon, sendo este um restaurante do qual os Santamarienses tem muito orgulho.
Aproveitamos que tinhamos visita e fomos conhecer o restaurante.
Acho tão triste quando a falta de paladar, de capricho, de vocabulário de sabores chega ao ponto lástimavel que se encontra este restaurante...
Fico triste, me sentindo enganada e com pena do dono de um negócio que tem a tamanha ousadia de servir algo tão mal feito, e ainda achar que trabalha no ramo da gastronomia.
Em primeiro lugar a tábua de frios estava OK.
O Pão era muito ruim- não entendo como se importam tanto e desmerecem de tal forma o pão do aperitivo.
Nao havia nenhuma pasta de beringela, pimentão, coisa tão tradicionais da cozinha italiana, cuja tradição eles clamam seguir. Na tábua um queijo branco, salame, uma copa (muito boa) e uma ricota sem nem sequer um tempero.
O suco de uva estava fresco e saboroso.
Após a tábua de frios, serviram a sopa. Creio que era pra ser capeleti in brodo, mas tinha gosto de óleo e sal. Tanto sal que não consegui comer o caldo, apesar de a massa em si estar saborosa.
Agora o drama mesmo foi na chegada do prato principal.
O risotto estava empapado, passado, recozido.
A galinha que nos serviram era apenas ASAS de um frango, requentado.
A salada era meia dúzia de alfaces sem tempero algum e uma maionese. Comida italiana?
Por favor, não subestimem seus clientes...
Ah, tinha também um spageti molenga, com uma colher de molho que parecia um pomarola direto da caixinha.
Fiquei desconcertada e envergonhada de ter levado minhas visitas para almoçar aquele vexame.
Já comi melhor por 6 reais em restaurante de beira de estrada.
Fui na cozinha reclamar que só tinha asa de galinha. A dona se fez de desentendida.
Pedi que suspendessem meu prato, que eu me recusava a comer aquilo.
Do lado de fora do restaurante há uma estufa, abandonada. Não sei se lhes pertence, mas não pude deixar de pensar que incrível poderia ser, se eles plantassem zucchinis frescos para grelhar, temperos verdes para complexificar aqueles pratos insossos que tentavam mascarar a ausencia de sabor com excesso de sal. Não precisava muito, apenas mais capricho, um pouco de interesse e mais delicadeza.
Ah, já falei que o lugar bombava ainda por cima uma música sertaneja intragável?
indigesto é pouco.
Nossa sorte é que o dia abriu tão lindo no meio da tarde, que pudemos reverter a péssima experiencia em um passeio maravilhoso pela região de paisagens tão doces e arcádicas.
não tenho medo do interior, gosto de mar, gosto de nova iorque, mas já morei em cidade de 8 mil habitantes e sempre fui muito feliz. Detesto quanto me dizem que eu não deveria ter vindo parar aqui. Já mudei e desmudei, mas chegamos aqui para permanência, portanto respondo:
Deveria sim, e, como em qualquer outro lugar, tem dias que tá tudo errado e tem dias que tá tudo lindo.
Esse não é um blog pessoal, mas com foco na experiência urbana, de infra estrutura e sentimental de uma estrangeira tentando fazer raizes em Santa Maria- sobre as singularidades de estar aqui.
Thursday, April 21, 2011
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